sábado, 26 de outubro de 2013

Projeto de Marina, afinal, é Político ou Empresarial?


Enredada entre dois grandes pesos pesados do capitalismo brasileiro, a presidenciável Marina Silva está permitindo, na prática, que a marca que ela criou e empolgou a sua militância se vulgarize.

Não se sabe, porém, até que ponto isso pode funcionar a favor dela – ou, ao contrário, acarretar um desgaste para a sua imagem pessoal e, também, para o partido que ela ainda quer criar.
Rede, neste momento, além de ser o nome da organização embrionária, também virou marca de cartão de crédito e de uma estratégia de vendas de cosméticos e produtos de higiene pessoal.
O Banco Itaú, do qual a amiga, apoiadora e financiadora de Marina, Neca Setúbal, é uma das principais herdeiras, mudou uma bandeira histórica dos cartões de crédito que administra para que passasse a ser, exatamente, tal qual a marca criada em torno da presidenciável. Os marqueteiros do Itaú jogaram fora o 'Card' e adotaram apenas o 'Rede' para, doravante, venderem seus cartões a mais e mais clientes.

A novidade foi anunciada em publicidades de páginas inteiras nos jornais de papel da mídia tradicional: Redecard agora é Rede.
E não é só. O que poderia, com boa vontade, ser chamado de coincidência singular, dobrou de tamanho.
Ex-candidato a vice de Marina em 2010, quando dedicou de sua fortuna pessoal mais de R$ 3 milhões para a campanha da parceira política, o empresário Guilherme Leal resolveu criar o Rede Natura. Trata-se de uma estratégia comercial para vender os produtos de sua linha de produção por meio de vendedoras em todo o País, que passam a estar conectadas por essa Rede de comunicação comercial.
É bonito isso?
Pode ser de acordo com o ponto de vista. Certamente os marqueteiros do Itaú não desconsideraram o fato de que trocar a conhecida marca Redecard pela nova Rede associaria o cartão de crédito da instituição à figura política que, dia sim, dia sim, frequenta e estará presente nas páginas do noticiário político até, pelos menos, as eleições de 2014.
O bilionário Leal, igualmente, com certeza considerou vantajoso para seus negócios ter um board de coordenação de vendedoras com a marca que todas, é claro, sabem que têm tudo a ver, mercadologicamente falando, com a singela Marina.
Mas e para a presidenciável? Ter a marca de seu embrião de partido associada diretamente a tantos interesses econômicos é mesmo positivo? Não desponta, de imediato, um conflito entre seu projeto político e estratégias empresariais que, sem qualquer sutileza, se aproveitam diretamente da nuvem de milhões de pessoas que acreditam no discurso da própria Marina? Aquele discurso de um mundo melhor, mais sustentável, mais humano? A construção do paraíso na terra prometido por Marina passa, então, pelo uso de cartões de crédito Rede e cosméticos Rede, é isso?
Se, amanhã, alguma companhia quiser lançar uma cerveja PT, o Partido dos Trabalhadores vai aceitar ver sua marca de 30 anos virar cevada e espuma?
Uma alfaiataria Tucanos, por exemplo, remetendo diretamente as roupas bem cortadas dos próceres do partido faria mais bem ou mal à vintenária marca do PSDB?
Pode ser uma boa ideia para o deputado Paulinho da Força licenciar a marca Solidariedade - do partido que ele acaba de criar -  para um fabricante de bonés e camisetas ao gosto de sindicalistas?
São perguntas que se colocam a partir da associação entre o Rede, embrião de partido político, e o Rede cartão de crédito e o Rede articulação de vendedoras e simpatizantes da Natura.
Pode, é claro, dar certo. Mas dar certo para quem mesmo?

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